Arte japonesa: uma arte que atravessa várias dinastias.



                                                    Introdução



               Marcada pela sucessão de diferentes fases estilísticas, espelho de contextos socio-políticos específicos, a arte japonesa conheceu um complexo processo evolutivo cujas origens remontam a 7000 a. C.Numa fase bastante posterior, nos finais do século III d. C., o país encontrava-se unificado pela uma nobreza guerreira. Essa união seria, cerca de trezentos anos mais tarde, consolidada com a introdução, por via coreana, da religião budista, cuja coexistência com o xintoismo primitivo proporcionou uma interessante simbiose entre as duas culturas e religiões. Em 592, o novo governo centraliza-se em Nara, cidade que conheceu um amplo desenvolvimento a partir de 784, assumindo-se como centro de transmissão do Budismo de origem chinesa e coreana. A partir do século VIII, o período Nara concretizou a implantação da cultura budista no Japão, denunciando a sua clara filiação na produção artística chinesa.A deslocação da corte, em 794, para Quioto, onde permaneceu até 1868, determinou o início do período Heian seguido da fase Fujiwara (794-1185), nome da família que durante algumas décadas governou o Japão enquanto regentes do imperador. Foi a partir do século IX que a arte japonesa se distanciou da influência chinesa adquirindo formas de expressão própria, menos ligadas à religião, embora ambas as formas de arte tenham coexistido até ao século XV.
              A partir de 1180, durante o período Kamakura, a história japonesa foi marcada por várias guerras civis que levaram a uma nova dinastia que durou até 1333. Quando o clã Ashikaga tomou o poder em 1338 assiste-se a uma profunda mudança cultural no Japão e ao abandono do estilo populista da fase Kamakura em favor da arte aristocrática e elitista dos Muromachi, marcada pela reintrodução do Budismo Zen no Japão. Durante o período Momoyama (1573-1603) assistiu-se a uma sucessão de líderes militares, num constante clima de guerra que conduziram ao rígido e fechado sistema feudal que caracterizou o repressivo período Edo (1603 a 1867) dos grandes Shoguns. em 1867 o Japão voltou a abrir-se ao estrangeiro, sendo então invadido por inúmeras formas culturais e expressões artísticas exteriores. 


                                       







                                                        Arquitetura



                É na região de Nara que se podem encontrar os mais antigos vestígios de construções arquitetónicas. O complexo de templos de Hôryû-ji, cuja origem remonta ao século VII e é pontuado pelo templo da coroação do Principe Shotokuplexo e por um pagode de cinco pisos, apresenta no interior do recinto sagrado quarenta e um edifícios que formam uma pequena cidade.Durante o período Fujiwara foi erguido o Templo Fénix, concluído em 1053, uma estrutura simétrica constituída por duas alas quebradas que se aproximam de um lago artificial. Este templo contém uma grande imagem de Amida (construída aproximadamente em 1053), instalada numa alta plataforma.
               Durante a fase Muromachi, período de grande estabilidade política do Japão, foi desenvolvida uma das tipologias fundamentais desta cultura, a casa de chá. Este espaço, especialmente vocacionado para as reuniões motivadas pela cerimónia do chá, encontra a sua filiação tipológica e formal na casa rural japonesa. Data deste período o Pavilhão de Ouro, construído em 1397 em Quioto. Edifício cuja função original seria a de capela de um mosteiro, erguia-se na margem dum sereno lago, harmonia entre elemento construído e paisagem natural. O edifício organizava-se em vários andares cercados por varandas contínuas e era pontuado por telhados curvos.
               Em plena época feudal (como foi a fase Momoyama), um dos edifícios mais importantes era o castelo, uma estrutura defensiva que servia também de residência aos poderosos senhores feudais. De entre os edifícios paradigmáticos desta fase contam-se os castelos e o shoin (palácio de receção e de representação) de Quioto. São exemplos de castelos o de Öhiroma, erguido no século XVII, ou o de Himeji (1609), com o icónico perfil determinado pelos telhados curvados dos três pisos.
                O palácio de Katsura, datado do período Edo, é um complexo de salas rodeado por um jardim, e tornou-se, pela informalidade e assimetria do seu esquema compositivo, pelo uso simples e direto de materiais naturais e sistemas construtivos baseados no trilito, num dos mais influentes edifícios japoneses, marcante na génese da arquitetura moderna ocidental.
                 A reconstrução das cidades japonesas após a Segunda Guerra Mundial provocou, tal como se verificou nos países ocidentais, um incremento notável na produção arquitetónica assim como no suporte tecnológico e teórico que possibilitaram a afirmação de diferentes escolas de grande originalidade, uma das quais dominada pelo veterano Kenzo Tange, o mais internacional dos arquitetos japoneses, famoso pelo o estádio olímpico de Tóquio, ou alguns percursos como o de Fumihiko Maki, Arata Isozaki, Tadao Ando ou Toyo Ito.









                                Pintura



                  No contexto da cultura artística japonesa e embora determinada por uma matriz estética e formal relativamente rígida, a pintura conheceu um amplo desenvolvimento e pujança criativa que superou largamente as criações escultóricas. No período Nara detetou-se a existência de pintura figurativa aplicada sobre peças de madeira lacada que integravam espaços arquitetónicos. O conjunto sacro do Tôdai-ji, datado do século VIII, em Nara, abriga o mais completo conjunto de manifestações pictóricas destes tempos de introdução do Budismo no Japão. Do período Heian datam os rolos narrativos ilustrados de quais se destaca o Conto de Genji, pintado em 1130. Nestas pinturas, e tal como se verificava nas realizações pictóricas chinesas, era frequente a conjugação da caligrafia com a imagem naturalista, cujos trabalhos mais notáveis mas também mais conservadores datam do período Kamakura.
                  No período Muromachi, o incremento das relações comerciais com a China resultou na importação em grande quantidade de exemplares de pintura deste país que levaram ao desenvolvimento de imagens de inspiração Zen. Grande parte destes trabalhos, realizados por monges budistas, tinha como características a redução dos detalhe e a procura de expressão de atmosferas indefinidas e de impressivas perspetivas de paisagens. No período Momoyama as pinturas atingiram grande escala, sendo aplicadas em murais decorativos nas salas dos castelos feudais. A utilização da folha de ouro para definição dos fundos garantia a necessária monumentalidade e brilho às composições dinâmicas, nas quais dominavam temáticas paisagísticas ou militares. A Porta Deslizante do Carvalho Silvestre, realizada a tinta sobre folha de ouro, entre 1536 e 1610, ou os biombos Cães-Leões, datados de 1543-1590, cuja inovadora pintura de cores opacas e contornos a tinta sobre fundo de ouro respondem ao gosto conservador dos ditadores militares, são exemplares representantes do estilo decorativo da escola de Kano.
                   Na fase cultural Edo foi desenvolvido um estilo decorativo que se apoiava em temáticas da literatura clássica, preservando as técnicas anteriores de motivos naturalistas e decorativos, mas estilizados com cromatismo brilhante, aplicados sobre fundos dourados. Os expoentes máximos destes motivos encontram-se na pintura em rolo "Ondas em Matsushima" ou no biombo de seis painéis "Ilhas de Matsushima" dos inícios do século XVII. O uso de aguadas imprecisas de tons matizados e de formas simples e gestuais em temáticas paisagistas encontrou referente importante na pintura "Onda quebrando em Kanagawa", talvez a mais conhecida pintura japonesa de todos os tempos.
                   Nos finais do século XIX e na centúria seguinte, confirmou-se a tendência para tentar preservar as tradições pictóricas da cultura japonesa, ameaçada pela crescente invasão das culturas ocidentais. Apesar da gradual diluição da identidade específica da tradição artística do Japão, ainda que contrariada pela assunção dum crescente espírito revivalista e eclético, é inegável a influência que a pintura japonesa, pela sua exuberância cromática e delicadeza de desenho, teve no desenvolvimento de alguns dos percursos criativos das vanguardas artísticas europeias e americanas de inícios do século XX.











                                         
                                      Escultura



                     Os mais antigos testemunhos de escultura japonesa são as figuras estilizadas e eretas colocadas no exterior dos túmulos, datadas do período Kofun. Ao período Nara remontam as mais importantes peças escultóricas implantadas no interior dos templos do complexo de Hôryû-ji, nomeadamente as imagens de Buda em pedra e bronze ou em madeira, datadas dos séculox VI e VII.               
                     De entre estas tornou-se particularmente famosa a monumental estátua do Buda de Tôdai-ji, que, apresentando mais de 16 metros de altura, se localiza no edifício principal do conjunto.Durante a fase Kamakura a escola de escultura denominada Kei criou um estilo mais realista, do qual resultaram as imagens dos guardiães da porta sul do Tôdai-ji em Nara em estilo realístico. Para além da pedra, muitas peças escultóricas de carácter realista foram realizadas em madeira polícromada e lacada.










Fonte bibliográfica: Arte Japonesa. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-05-23].
Disponível na www: .


                              

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